CONCURSO ANEXO BIBLIOTECA NACIONAL

Equipe de projeto: Ricardo Milanez, Carlos Alberto Morganti,Marina Camisón, Raul Audenino, Viviane Franke Lemos, Matias Golendziner, Olga Mallmann, Ana Paula Schilling, Renata Nicareta

HISTÓRICO

O sitio urbano onde será desenvolvido o Projeto de Arquitetura para o Anexo da Biblioteca Nacional localiza-se na antiga Área Portuária do Rio de Janeiro. A Prefeitura desta cidade iniciou no local um ambicioso plano de renovação para esta região, denominado Porto Maravilha, já em pleno desenvolvimento.

Esta requalificação teve, sobre a edificação repassada anteriormente pelo governo federal e já utilizada como Armazém Complementar pelo Anexo-BN, um importante impacto. O imóvel, uma antiga Estação de Expurgo do Ministério da Agricultura, com as alterações urbanas no entorno tornou-se um prédio-quadra como muito bem definido no Termo de Referência e, por consequência, com grande visibilidade, exigindo a criação de uma imagem única e harmônica para a edificação e suas ampliações.

Neste novo bairro que será o Porto Maravilha, a Biblioteca Nacional decidiu e planejou para uso de seu Anexo, além dos Armazéns no bloco Central e das instalações a serem efetivadas no local, a administração e escritórios de processamento técnico de obras, a implantação de uma Biblioteca com coleção própria, Biblioteca Virtual, Auditório e espaço para exposições formando um novo conjunto arquitetônico. Mais que um Anexo, o complexo será um polo cultural para a região.



FATORES CONDICIONANTES

As características do terreno de 5.500m² de geometria irregular e aproximadamente 370m de perímetro, reflexo do sistema viário circundante em implantação, apresenta uma distância em linha reta entre seus pontos extremos de 150m e culmina com a presença, no seu eixo principal, do bloco Central (66,00 x 45,00m) que secciona o imóvel.

O futuro conjunto arquitetônico é severamente limitado por linhas curvas e segmentos de retas terminados em ângulos agudos, formatos estes, que implicam em uma maior perda de áreas face à complexidade do programa e montagem dos seus layouts.

A ligação entre os blocos Oeste e Leste só poderá acontecer pelo pavimento térreo do bloco Central ou solução de interligação sugerida no Anexo 03 do Edital.

Por fim, as definições do sistema viário circundante e a urbanização do Porto Maravilha pré-estabelecem os possíveis acessos de público e veículos, encaminhando o rumo a ser adotado para o partido geral do projeto de arquitetura de reforma e reciclagem do Anexo – BN.
PARTIDO GERAL

A partir das condicionantes mencionadas, a equipe identificou os pontos a serem definidos para a concepção inicial do projeto:

- o tratamento a ser dado ao volume de três pavimentos de Armazéns, de uso já definido pelos arquitetos da BN;

- a solução para uma ligação harmônica entre todos os blocos do conjunto;

- o zoneamento das atividades do programa de Necessidades Espaciais para as Áreas Públicas e dos Setores de Trabalho e Serviço, tendo a entrada de carga e descarga pela Rua Rivadávia Correa como um forte condicionante;

Para o bloco Central, o verdadeiro “core” do projeto pela a importância dos documentos que seus Armazéns arquivam e preservam, definimos um tratamento na qual assumimos e reforçamos a sua presença no conjunto arquitetônico através de um revestimento diferenciado, conferindo ao bloco uma força compatível com sua função e importância.

Para as interligações dos diversos setores, projetou-se uma passagem ampla e sem quebras, através dos cantos do bloco Central, mantendo e reforçando a característica volumétrica de caixa deste. A diminuição das áreas reservadas para as estanteiras é justificada pelas conquistas funcional e estética obtidas com a criação desta forte ligação proposta em nosso estudo.

Para o zoneamento das atividades, considerando que as definições do projeto urbanístico do Porto Maravilha já indicam uma orientação, agrupamos:

- as atividades dos Setores de Trabalho e Serviço basicamente no bloco Oeste com exceção da Presidência e Diretoria, Coordenações, Data Center e BN Digital que ficarão no bloco Leste;

- as atividades previstas para as Áreas Públicas ficarão no bloco Leste;

- no térreo do bloco Central, a maior área será para a implantação das Salas de Leitura da Biblioteca Pública e de Periódicos com toda sua infra-estrutura assessória;

- o espaço restante deste pavimento térreo será ocupado ainda pelas atividades remanescentes dos Setores de Trabalho e Serviço;

- e, finalmente, no bloco Norte reconstruído, como conseqüência das ligações propostas, surgem em seus pavimentos os eixos que unem o Oeste e o Leste, uma verdadeira rua interna - circulação funcional por excelência. Nestes foram planejados excelentes espaços de lazer e descanso para os 500 colaboradores, considerando a magia que representará para a cidade a paisagem formada pelo mar, cais e a revitalização urbana do Porto Maravilha.